20 de julho de 2017

[Resenha] O navio das noivas - Jojo Moyes

"Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor.
Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino a Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito.
Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas.
Enquanto desbravam oceanos, os antigos amores e as promessas do passado parecem memórias distantes. Ao longo da viagem de seis semanas apesar de permeada por medos, incertezas e esperanças amizades são formadas, mistérios são revelados, destinos são selados e o felizes para sempre de outrora não é mais a garantia do futuro que foi planejado.
Com personagens únicas e uma narrativa tocante, Jojo Moyes conta uma história inesquecível que captura perfeitamente o espírito romântico e de aventura desse período da História, destacando a bravura de inúmeras mulheres que arriscaram tudo em busca de um sonho.
O navio das noivas foi inspirado na história da avó da autora, que fez a mesma travessia relatada no romance para reencontrar o marido no período pós-guerra, e cada capítulo traz citações não ficcionais de esposas e oficiais que viajaram nesses navios."

O fim da Segunda Guerra Mundial chegou e é hora dos reencontros. O navio HMS Victoria sai de Sidney rumo à Inglaterra levando mais de seiscentas mulheres que desejam reencontrar os maridos, com os quais se casaram durante o conflito. Elas partem em direção a um futuro incerto, mas cheias de esperança. 

Margaret, Frances, Jean e Avice não tem nada em comum, a não ser que são esposas de combatentes da guerra. Margaret está grávida e é a moça criada no interior, que até então nunca havia saído da fazenda em que morava com o pai e os irmãos; Frances é a enfermeira tímida e discreta, mas que guarda um grande segredo; Jean é uma adolescente de 16 anos, enérgica e inocente, e Avice é a garota bonita e escrava das aparências. Essas quatro esposas vão dividir a cabine numa viagem de seis semanas que mudará suas vidas.
O primeiro capítulo descreve bem cada uma das personagens principais, mas ao longo da história podemos conhecer um pouco mais seus medos e expectativas para a nova vida que as espera. Também podemos conhecer um pouco da cultura daquela época, a maneira como as mulheres se vestiam, se comportavam e suas relações sociais.

Um dos personagens que ganha destaque na história é o comandante Highfield. Ele já está na casa dos 60 anos e essa é sua última viagem, pois vai se aposentar. Ele nunca se casou e nem teve filhos, e dedicou-se inteiramente a servir à marinha. Um homem de pulso firme e que não permite que as regras de conduta sejam quebradas em seu navio. Ele cria algumas atividades para que as esposas tenham com que se ocupar ao longo do trajeto e promete fazer o possível e o impossível para que todas cheguem bem.  Mesmo sendo rígido e muitas vezes autoritário, é um personagem cativante. 

Logo que o livro foi lançado fiquei empolgada, afinal de contas Jojo Moyes é uma das minhas autoras favoritas. Juntando a isso o fato da história se passar no período pós-guerra imaginei que logo entraria para a lista dos meus livros favoritos. Infelizmente isso não aconteceu. Como a história narra toda a viagem ficou um pouco cansativa. Acontecem algumas coisas marcantes, mas diferente dos outros livros da autora, neste não temos grandes reviravoltas. O que me fez continuar a leitura foi o segredo da Frances e a esperança de ter um final que valesse a pena, e isso sim a autora nos concedeu. Imaginar que tudo nessa história é baseado em fatos reais dá uma emoção maior ao livro e me fez pensar tudo o que aquelas mulheres realmente passaram para reencontrar seus maridos. 

Todas foram muito corajosas em deixar seu país de origem e a família, e partir para algo inesperado. Eu não tinha noção do que isso significava até terminar a leitura e ver quantas coisas aconteceram ao longo do percurso. Tudo é muito imprevisível; pode dar certo, mas pode dar errado, e o fato do navio ser um velho porta-aviões me fez questionar se todos chegariam vivos e inteiros ao seu destino. 

"- Todos nós precisamos encontrar um jeito de corrigir esses horrores - disse ela.
Você?, ele teve vontade de perguntar, incrédulo. Você não começou a guerra. Não foi responsável pelos estragos, pelos membros amputados, pelo sofrimento. Você é uma das coisas boas. É uma das razões pelas quais continuamos seguindo em frente. Você, de todas as pessoas, de todas as mulheres deitadas aqui, é a única que não tem o que corrigir. "

A personagem que mais gostei foi a Margaret. Ela é solidária, leal e amiga de verdade, daquelas que defende as pessoas que gosta com unhas e dentes. Quando as outras estavam tristes ela tentava distrai-las e anima-las. É o tipo de pessoa que você conhece numa situação improvável, mas que deseja ter a amizade dela pelo resto da vida. Já a Avice é fútil e egoísta, mas recebe uma “lição” durante a viagem que me fez ficar com pena da garota. Frances ganhou meu respeito e quanto a Jean não tenho o que dizer. 
Mesmo me decepcionando um pouco com a história recomendo a leitura, e sugiro que não crie tantas expectativas como eu fiz. E se você já leu o livro me conta o que achou. Beijos e até a próxima! 

“Todos nós precisamos encontrar novas formas de viver, dissera ele. Novas formas de perdoar.”

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