10 de maio de 2017

[Resenha] A garota no trem - Paula Hawkins

"Um thriller psicológico que vai mudar para sempre a maneira como você observa a vida das pessoas ao seu redor.   
Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Jason –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. 
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado."

Todos os dias Rachel pega o trem das 8h04 em direção a Londres. Por conta do trajeto sempre passa atrás da rua onde morava com Tom, quando ainda eram casados. Mas não é sua antiga casa ou os novos moradores que ela observa, e sim Jess e Jason (o nome que ela mesma deu a eles), o casal que mora no número 15. Rachel fantasia a vida deles e constrói em sua mente o relacionamento perfeito do casal que ela sequer conhece. Até que um dia ela vê uma cena um tanto curiosa e poucos dias depois descobre que Jess – que na verdade se chama Megan – desapareceu.

“Observar desconhecidos na segurança do lar, por algum motivo, me traz uma sensação de tranquilidade.”  Rachel

Após uma grande decepção Rachel começa a beber em excesso e esquecer-se de fatos ocorridos enquanto estava embriagada.  Por conta disso, ela não se torna uma testemunha confiável ao ir à delegacia e contar a cena que presenciou um dia antes do sumiço de Megan. Mesmo assim acaba sendo arrastada para essa investigação e passa a participar da vida dos envolvidos.

Ela ainda corre atrás de Tom, seu ex-marido, do qual está divorciada há dois anos. E sim, isso faz com que ela se torne uma personagem bem chatinha em alguns momentos. Ela implora por um amor que nunca terá de volta. E é triste ver como as pessoas – inclusive Tom – a tratam por conta de seu alcoolismo e seu esquecimento. Ela não tem perspectiva de vida, está com a aparência descuidada e mora de favor na casa de uma colega. 

Para quem já assistiu ou leu Garota Exemplar a comparação entre as duas histórias é inevitável. Eu ficava o tempo todo me perguntando se essa história teria o mesmo desfecho ou alguma semelhança com o livro de Gillian Flynn, mas felizmente o enredo é diferente, e Paula Hawkins conseguiu me surpreender com um criminoso inesperado. Durante toda a história eu tinha dois suspeitos, mas no fim das contas nenhum deles foi o responsável pelo sumiço de Megan.

“... é disso que mais gosto na situação, de exercer poder sobre outra pessoa. É isso que me deixa inebriada.”  Megan

A narrativa é em primeira pessoa e os capítulos são intercalados entre Rachel, Megan e Anna, a atual esposa de Tom e personagem que acaba tendo um papel importante na história. Gosto desse tipo de narrativa por que nos permite conhecer a história por vários pontos de vista. 

Minha classificação para esse livro no Skoob foi três estrela por que boa parte da história é chata e até mesmo arrastada. A coisa só fica empolgante perto do fim. Mesmo assim, se você gosta de thriller psicológico recomendo a leitura. Ao final podemos perceber o quanto podemos nos equivocar ao olhar para as pessoas e imaginar quem são e como vivem. E principalmente: nós nunca conhecemos uma pessoa verdadeiramente.

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